sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Este drama de Almeida Garrett foi representado pela primeira vez em 1843, tendo sido publicado no ano seguinte, sendo considerado a obra-prima do Teatro Romântico e uma das obras-primas da Literatura Portuguesa.

O enredo, inspirado na vida do escritor seiscentista Frei Luís de Sousa, de seu nome secular D. Manuel de Sousa Coutinho, tem como pano de fundo a resistência à dominação filipina. Sete anos depois de o seu marido, D. João de Portugal, ter sido dado como morto na batalha de Alcácer-Quibir, D. Madalena de Vilhena desposa D. Manuel de Sousa Coutinho, união de que nasce uma filha, Maria. A sua existência só é perturbada pelos tristes pressentimentos da frágil e sensível Maria e de Telmo, o velho aio que continua à espera do regresso de D. João. Este aparece, disfarçado de romeiro, e dá a conhecer a sua verdadeira identidade. O desfecho é trágico: Maria morre na igreja, no preciso momento em que os seus pais professam.

O crescendo dramático que envolve a acção culmina, assim, numa catástrofe, que é, todavia, de índole essencialmente psicológica e ideológica e conduzida com extrema sobriedade. Na célebre Memória ao Conservatório Real, que acompanha a peça, Garrett define o drama como «a mais verdadeira expressão literária e artística da civilização do século», sobre a qual exerce, ao mesmo tempo, uma «poderosa influência». Ressalvando que a índole da sua composição pertence ainda ao género clássico, critica o modo como na sua época se pretende fazer o drama, com um excesso de violência e de imoralidade, e alega ter desejado «excitar fortemente o terror e a piedade», usando de contenção e simplicidade.


0 Comments:

Post a Comment